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Dark Was the Night

Estou muito relapsa. Ando escutando poucos álbuns novos, conhecendo poucas bandas. E não fico chateada porque acho que isso seja uma obrigação, mas sim porque quando escuto coisas novas e me apaixono por bandas que nunca ouvir falar me transformo, me sinto bem, fico feliz. E quando isso não acontece minha cabeça fica tomada por pensamentos ruins. Enfim. Preciso voltar a ativa.

Descobri recentemente a coletânea “Dark Was the Night” (2009) que foi contemplada pela dupla de guitarristas do The National como um projeto beneficente em pró da luta contra a AIDS. Mais informações você pode ler neste blog aqui. A lista de faixas é composta por covers e músicas inéditas executadas por um seleto grupo de bandas e compositores. Quase todos fazem parte da minha playlist diária como Spoon, National, Arcade Fire, Bon Iver, Yo la Tengo, Antony Hegarty e Stuart Murdoch. Tem também My Morning Jacket, Feist, Cat Power. Enfim. Um time que não te decepciona.

Eu cheguei a esta coletânea assistindo ao filme “Um sonho possível”. No início do filme, uma cena bem simples e bonita é embalada por um cover igualmente simples e sublime de Cello Song do Nick Drake. O cover foi gravado por The Books e José González e você pode ouvir aí embaixo. Me fez ganhar o dia.

Antony and the Johnsons

Com toda essa chuva na cidade, ando passando muito mais tempo no ônibus do que o normal. Já era bastante tempo sem chuva, com chuva a situação piora. Ainda bem que tenho a companhia do iPod para minimizar o grande tédio por qual passo a caminho da labuta. Dentro do coletivo durante muitos minutos (as vezes horas) a melancolia parece mais a flôr da pele. Os olhares dos estranhos de preocupação, a dor de estar em pé com tanta gente empurrando, a música vinda do celular da cobradora evangélica. É uma mistura de coisas irritantes que poderia por completo destruir o dia de qualquer um. Mas do que adianta reclamar e reclamar?

Estava assistindo filme “Leonard Cohen: I’m your man“. Uma mistura de show e entrevistas com conhecidos do Leonard Cohen e o próprio. O show que tem a participação (maioritária) da família do Rufus Wainwright e ainda conta com Nick Cave, Beth Orton, Jarvis Cocker etc. Um show belíssimo com versões realmente dignas de serem ouvidas. Mas nenhuma outra me chamou mais atenção que a versão de Antony Hegarty (If It Be Your Will). E foi a partir dalí que minhas manhãs ganharam uma nova trilha sonora capaz de me tirar de qualquer tunel de aborrecimento.

Nunca escutei nada parecido com Antony and the Johnsons. Mesmo não sendo musicalmente original, não tem nada que se aproxime da sensibilidade que o Antony passa com sua voz que as vezes transmite deserpero e em outros momentos extrema tranquilidade. Indescrítivel, sendo bastante sincera agora.

Antony

Seria redundante falar que você precisa escutar o Antony com bastante atenção. Que não dá pra escutar o Antony com barulho ou enquanto você esta conversando no Instant Messaging. É claro que não dá. Quer dizer, nada impede. Mas não teria um bom aproveitamento :P . Para uma melhor apreciação da arte feita, o escuro, o silêncio absoluto, ou até o não silêncio absoluto, mas como eu faço: Sentada no ônibus vendo a chuva bater na janela. Melancolia sempre combina com chuva. Não é drama, é só um fato mesmo.

Os álbuns da banda são bastante elogiados pela crítica e o “I am a bird now” é ganhador do prêmio Mercury Prize de 2005. Este ano mais um foi lançado de nome “The Crying Light”. Lindo do início ao fim :) .

(Abaixo um exemplo de extrema beleza =] )